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Com que Blocos fui construída?

  • Foto do escritor: Cantinho Da Sandra
    Cantinho Da Sandra
  • 8 de fev. de 2019
  • 4 min de leitura

Aqui estou eu mais uma vez a divagar...

Este título "Com que Blocos fui construída?", dá-me uma força que é maior que uma força de expressão, vem do coração, de dentro de mim, do fundo da alma.

A FAMÍLIA que nos constrói é como fosse um pedreiro, isto é, pedra por pedra faz um muro, seja estas pedras por vezes cinzentas , outras vezes brancas e algumas vezes rosas. Estas pedras, tijolos ou até mesmo blocos (como queiram designar) vão durar TODA a sua vida existencial. E este muro, ou seja, as pedras acumuladas poderão ser bem estruturadas e durar anos, sem que nenhuma pedra caía, quer dizer a não ser que tenha alguma fenda devido à falta de ferro e, até, mesmo devido ao clima, para não falar destas tais pedras não serem, suficientemente, fortes ou porque levaram mais areia e menos cimento ... o que quero passar para vocês leitores, não é a ideia de que percebo de construção de muros, mas sim como fui educada, como nasci e cresci nesse muro designado de vida, designado de momentos, e criados pela FAMÍLIA.

Então, poderei ser cada pedra deste muro pois uma pedra pode ser o meu nascimento, a maneira de como cresci e fui educada, e os construtores deste muro, ou seja, a FAMÍLIA, é tudo o que me fez chegar onde estou hoje? ( e digo vos, já, eu dei um trabalhão, que nem imaginam!)


Vou tentar caracterizar a minha FAMÍLIA , e tentar não chorar- saudades.

Fui a primeira da família a nascer, e nasci num mês bastante frio, só para ver o quanto frio era e o azar que tive mal vim ao mundo: quando nasci colocaram um saco de água quente ao pé de mim e este arrebentou e queimou-me; realmente, não é fácil! mas a verdade é que estávamos no ano 72, numa ilha onde tudo o que era meios médicos eram escassos e onde a palavra "indemnização" era ilusório.

Nasci no seio de uma família que teve que trabalhar muito para sustentar 3filhos ( eu e mais dois irmãos: o Mauro e o último filho que nasceu, o Nuno) , apesar de, se todas as gravidezes da minha mãe tivessem chegado ao fim e se o nosso Centro de Saúde tivesse incubadoras seríamos pelo menos 5 filhos: 2 irmãos gémeos (o Alexandre e o Ezequiel) e mais tarde outro rapaz que seria chamado Emanuel. Algo que poderá soar estranho mas é curioso a minha mãe, até hoje, esconde-o num frasco com álcool.

Santa Maria, a ilha onde nasci, naqueles tempos, revelava carência de bens alimentares incluído outras necessidades designadas de básicas, economicamente. Também era frequente quando o mau tempo se refletia e como não tínhamos cais para os barcos atracarem a falta de gás, de gasolina e de alimentos nomeadamente como frutas e farinhas e açúcar e outros produtos necessários- tudo o que possam imaginar- revelava-se

Bem agora falando um pouco do que os meus pais trabalhavam: o meu pai era condutor de autocarros e a minha mãe trabalhava em casa para criar os 3 filhos e desta forma como era em casa, lavava e passava a ferro roupa para várias pessoas como médicos, empregados do aeroporto, etc. Quando chegava a casa, da escola, muitas vezes, ela estava a cozer pão e aquele cheiro, aquele conforto de casa aquecida devido ao forno era tão bom mas mesmo tão bom de sentir. (Veio agora água na boca e as saudades). Eu era feliz e muito, mas como qualquer criança, ou seja, seres inocentes, não dava muita importância e não tinha a noção de nada era garantido.

A minha escola, Escola Primária de S. Pedro, cheirava a óleo de cedro, devido as carteiras e, genuinamente, eu gostava daquele cheiro, gostava da escola. As memórias que tenho dessa altura são os bancos de granizo que havia nos cantos do edifício e, quando chovia e fazia frio e até mesmo ouvia- se os trovões e via-se a luz dos relâmpagos, a professora dizia aos alunos que era S.Pedro a jogar à bola com o menino Jesus e cada golo era um relâmpago, para não falar de quando a luz ia-se abaixo tanto eu como os meus colegas ficávamos na escola, às escuras, cheios de medo. Lembrei de uma história : quando estava a aprender a letra V, a professora disse alto" V de vela meninos" e, de repente a luz foi se abaixo.

Tive uma infância muito feliz , brincava com os meus colegas nos intervalos, fazíamos a roda, jogávamos ao elástico, às escondidas e às apanhadas, e afins.

Aos fins de semanas, muitas vezes ia para casa das minhas tias e madrinha-esta última fez muita pela minha educação- e as memórias dessa altura são relembradas com muita felicidade: irmos para a praia (Praia Formosa) realmente adorava ir, tanto que ia ajudar a minha madrinha para a tarde estar livre e irmos; também recordo me de irmos para a casa da minha tia Maria Helena brincar com os meus primos e almoçarmos de baixo das ameixeiras, onde apanhávamos e comíamos ameixas, doces e uvas; outra vezes ia a casa da outra irmã do meu pai, a tia Celeste e esta fazia doce de maça e umas cavacas que até hoje não há quem faça melhor.

Algo que ainda não contei é que para além da profissão do meu pai, ele pescava e pescava muito só que eu era a menina que não gostava de peixe (agora adoro) e também o meu pai cultivava de tudo um pouco: ervilhas, feijão, batata, milho, trigo- adorava apanhar e debulhar trigo, e o seu cheiro a sair da máquina era algo maravilhoso. Além disso, ia com a minha avó Inês buscar lenha ao mato e lá ia eu com um molhinho de lenha pequeno, com o meu chapéu de palha e, quando havia as vindimas ia com o cesto para apanhar as uvas, sempre a pé sem me queixar e olhem que era bastante longe mas a felicidade era mais longa do que a estrada.

Tudo o que brincávamos, todas as frutas e alimentos que apanhávamos era tudo doce como a vida naquela altura.

Realmente, o doce da vida, leva-nos a caminhar sempre na direcção certa.

Mas, como não há bela sem senão, o doce também pode-se tornar amargo- algo que ficará por vos contar, em breve.

Porque a minha infância tem muita que contar, acreditem!

A Sandrinha, agradece







1 comentário


Cristina Moura Couto
Cristina Moura Couto
19 de fev. de 2019

Que saudades da nossa infância, da nossa escola, da nossa inocência beijinhos Sandra

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